15 de jul de 2015

O poder de comunicação do silêncio


Novos estudos de marketing como os de Edward Leaman demonstram a necessidade de uma comunicação pautada pela verdade e pela conexão com o mundo. Foi iniciada uma nova era de marcas e pessoas inspiradas pela arte, levantando bandeiras. E, dentro desse contexto, percebo que é urgente uma reflexão sobre o poder do silêncio.

Como indivíduo e publicitária atuando no mercado brasileiro, observo a ansiedade que a sociedade ocidental e contemporânea carrega nas possibilidades que a democratização dos meios de comunicação nos traz. Procura-se existir a qualquer custo nas redes sociais, nos reality shows, através do exibicionismo, mas é justamente o caminho inverso - da não existência - que está sendo trilhado.

O excesso da fala e do exibicionismo tem levado essa sociedade à superficialidade, à artificialidade e à falta de conexões reais. Na ânsia de ter o que dizer e de agradar, pessoas e marcas invadem, agridem, enchem o saco, repetem fórmulas, dispersam com entretenimento barato. E, na ausência de pausas para a introspecção, não digerem a informação disponível e não transformam - o que poderia ser um alimento para a existência - em produção de conhecimentos e diálogos.

Renato de Mello destaca a importância dada pelas sociedades orientais ao silêncio, e como essa importância se apresenta no cotidiano de forma universal. O silêncio na música é pausa, é ritmo. Na poesia produz o verso. Na filosofia e nas ciências gera reflexões. A moderação é fundamental para uma existência verdadeira, produtiva e conectada com o mundo real.

Por tudo isso, eu defendo mais intervalos, menos quantidade, mais qualidade e profundidade na comunicação. E, se o desafio da comunicação contemporânea é justamente o desafio do artista, qual é mesmo o poder do silêncio?


*Texto publicado originalmente em Intermídias, em julho de 2015.