15 de out de 2016

Acabo de lançar meu encontro online gratuito: “Formatação de projetos para TV - como vender seu conteúdo independente para um canal?”

As políticas públicas abriram espaço para a diversidade de olhares da produção brasileira, antes totalmente concentrada no eixo Rio-São Paulo.

Profissionais independentes do audiovisual e da comunicação estão se deparando com esse cenário, fazendo e aprendendo no processo das oportunidades que se abrem.

Mas acredito que, além das políticas públicas, precisamos empreender e criar alternativas sustentáveis, a partir de uma aproximação com o mercado e do trabalho em rede. Invisto na ideia de que o cenário se tornará mais poderoso se contarmos com uma inteligência coletiva.

Pensando nessa construção e nesse investimento, farei um encontro online gratuito, onde vou compartilhar minha pesquisa, experiência e visão sobre esse tema.

Todos os detalhes sobre o evento e como se inscrever estão no link abaixo. As vagas estão limitadas às 50 primeiras inscrições. Essa iniciativa é resultado de uma oficina de Nova Escola Digital.


INFORMAÇÕES: isisnoguti@gmail.com
QUANDO: 22/10, 10h00

http://liveprojetos.novaescoladigital.com/




14 de out de 2016

Vamos conversar sobre projetos independentes para TV?

Há pouco mais de um ano, depois de um longo percurso como planner em agências de publicidade, comecei um novo percurso.

No momento, além do meu trabalho como professora universitária, estou me dedicando a pesquisar e desenvolver projetos independentes de comunicação, incluindo conteúdos para TV.

Tenho me reunido com profissionais da área para trocar experiências, desenvolver ideias e iniciativas em comum. Estou trabalhando como consultora de comunicação estratégica na série de TV "Francisco só quer jogar bola" (contemplada no edital da Ancine-FSA-Fundo Setorial do Audiovisual/ IRDEB), mas também desenvolvo outros projetos autorais.

Tem sido um movimento especial pra mim, de novos aprendizados e experimentações. Por isso, senti a necessidade de compartilhá-lo com outras pessoas, acreditando na importância de uma atuação em rede e na multiplicação do conhecimento para formar e fortalecer novos mercados.

E foi com essa inquietação que desenvolvi um encontro online gratuito, onde poderemos conversar em breve sobre como elaborar projetos de conteúdos independentes para TV.

Todos os detalhes dessa iniciativa, vou contar pra vocês amanhã. Combinado?

15 de jul de 2015

O poder de comunicação do silêncio


Novos estudos de marketing como os de Edward Leaman demonstram a necessidade de uma comunicação pautada pela verdade e pela conexão com o mundo. Foi iniciada uma nova era de marcas e pessoas inspiradas pela arte, levantando bandeiras. E, dentro desse contexto, percebo que é urgente uma reflexão sobre o poder do silêncio.

Como indivíduo e publicitária atuando no mercado brasileiro, observo a ansiedade que a sociedade ocidental e contemporânea carrega nas possibilidades que a democratização dos meios de comunicação nos traz. Procura-se existir a qualquer custo nas redes sociais, nos reality shows, através do exibicionismo, mas é justamente o caminho inverso - da não existência - que está sendo trilhado.

O excesso da fala e do exibicionismo tem levado essa sociedade à superficialidade, à artificialidade e à falta de conexões reais. Na ânsia de ter o que dizer e de agradar, pessoas e marcas invadem, agridem, enchem o saco, repetem fórmulas, dispersam com entretenimento barato. E, na ausência de pausas para a introspecção, não digerem a informação disponível e não transformam - o que poderia ser um alimento para a existência - em produção de conhecimentos e diálogos.

Renato de Mello destaca a importância dada pelas sociedades orientais ao silêncio, e como essa importância se apresenta no cotidiano de forma universal. O silêncio na música é pausa, é ritmo. Na poesia produz o verso. Na filosofia e nas ciências gera reflexões. A moderação é fundamental para uma existência verdadeira, produtiva e conectada com o mundo real.

Por tudo isso, eu defendo mais intervalos, menos quantidade, mais qualidade e profundidade na comunicação. E, se o desafio da comunicação contemporânea é justamente o desafio do artista, qual é mesmo o poder do silêncio?


*Texto publicado originalmente em Intermídias, em julho de 2015.

30 de jun de 2014

Branded content, comunicação digital e o que vem depois?

A produção de conteúdo de marca e sua exibição em diferentes plataformas devem ser pautadas por histórias relevantes, que gerem diálogo e relacionamento continuo com os públicos. No meio de tantas mudanças, muita gente tem se perguntado: "O que vem depois?"

Considerei, como um ponto de partida inspirador para responder esta pergunta, o Eletrolux Design Lab. A Eletrolux tem construído sua identidade através da conexão entre design, arte e inovações que agregam valor à vida moderna sustentável.

Já o Eletrolux Design Lab se configura como um concurso de estudantes de design, e converge para um evento no qual participantes, de diferentes países, apresentam suas criações de produtos para a marca. O tema de 2014 é a casa como ambiente de relaxamento e paz de espírito. Entre as propostas, encontramos um purificador que limpa toalhas em minutos e um equipamento portátil que transforma um cesto de roupas sujas em máquina de lavar roupas.

Podemos conferir o conteúdo gerado por esta ação em diferentes mídias sociais, além de ser disponibilizado no site da empresa. As pessoas votam, comentam as criações e o interesse que possuem (ou não possuem) pelas mesmas, contribuindo para a oferta da Eletrolux.

Sendo assim, o que vem depois? Vamos considerar que os finalistas do concurso, considerados mais úteis, funcionais e adequados às normas de sustentabilidade podem chegar ao mercado, e, naturalmente, mudar as práticas da concorrência. Nesse caso, poderemos também observar a relevância das ações de conteúdo de marca, e a interação do público, influenciando diretamente na qualidade de vida do planeta. Chegaremos ao ponto de mudar o conceito de mercado consumidor para um rede colaborativa de soluções formada por empresas, clientes e comunidades?


4 de mai de 2014

O planejamento de comunicação como gerador de negócios: um prato cheio para planners com fome de emoção

Pessoas apaixonadas pelo que fazem sabem que não basta um espaço no mercado de trabalho – é preciso ocupá-lo com emoção. Profissionais de planejamento de comunicação com essa sabedoria têm acompanhado com entusiasmo o crescimento da relevância de suas atividades, mas também desafios e limitações na geração de negócios.

O Arena do Marketing, promovido pela Folha e pela ESPM, trouxe uma importante reflexão sobre as demandas da propaganda num cenário de inovações tecnológicas. Torna-se crucial a formação de profissionais voltados para as ciências humanas e a criação de relações transparentes entre consumidores e marcas.

Considerando o material humano múltiplo, imprevisível e dinâmico, o planejamento torna-se cada vez mais pulsante e vital como gerador de negócios. Ou seja, um prato cheio para planners com fome emoção. Partindo desse princípio, profissionais que ocupam posições de liderança dentro de agências relatam os impactos práticos desse cenário, através de suas experiências e visões.

Driblando limitações: o planejamento como coração do trabalho

Marcel Ayres, sócio-diretor da PaperCliQ Comunicação e Estratégia Digital, observa que, em alguns casos, “o planejamento é entregue como um plus e não como o coração do job”. Outra dificuldade está relacionada às verbas enxutas e prazos apertados, fazendo com que agências apresentem um trabalho menos aprofundado. Como consequência, o mercado tem se deparado com propostas pouco embasadas e sem objetivos claros de avaliação de resultados.

Para valorizar seu trabalho, o planner deve estar atento aos processos dinâmicos de interatividade e engajamento no ambiente digital, buscando adequações constantes para seus projetos e oportunidades para as marcas. Sua importância precisa ser reforçada nos pontos de contato com o cliente, podendo ser comprovada pelas práticas de monitoramento e mensuração em mídias sociais.

Marcel destaca ainda que, na PaperCliq, o planejamento é considerado a base para resultados sólidos e, por esse motivo, defende e pratica a ideia de cobrar, sim, pelo serviço.

Ampliando possibilidades de negócios: o planner e a gestão do processo de conhecimento

Isabela Silveira, coordenadora de planejamento da Morya Comunicação (Grupo ABC) considera sua atividade um processo contínuo de construção de conhecimento das marcas, através da interface com os departamentos da agência.

Nesse cenário de constância e continuidade, a inclusão do planejamento como parte de serviços integrados e remunerados por fee mensal pode ser pertinente. Porém, o detalhamento do trabalho nas propostas comerciais, evidenciando sua relação direta nos resultados, torna-se oportuno para a sustentabilidade dessa prática.

Isabela defende que a criação de produtos voltados para a inteligência de mercado, como o Panorama Morya, ou até mesmo soluções customizadas para as marcas consolidam a atividade estratégica. “A gente acaba sendo um banco de dados e inspiração para o negócio do cliente.” O Panorama Morya é uma ferramenta exclusiva, com um rico banco de informações, painéis setoriais e oportunidades de conexão com a comunidade local.

Futuro promissor: mais valorização e especialização

Rodrigo Cerveira, Presidente e Head of Planning da Agência Guapa acredita que o crescimento da relevância do planejamento é uma realidade, graças à maior complexidade do ecossistema de comunicação.

Assim, a valorização do planner passa pelos seus múltiplos papéis que demandam conhecimento específico. Ele poderá propor desde estratégias de engajamento até um aplicativo que contribua para abrir uma frente comercial.  “Se no passado apenas atuava como gerador de insights, hoje é mais o guardião e líder da estratégia de comunicação, com um pé importante na pertinência em relação ao negócio”, afirma.

Dada sua importância, a atividade está muito conectada aos processos de prospecção, além de poder se configurar como um produto. “Temos exemplos aqui na Agência Guapa de clientes que nos remuneram pela visão estratégica, algo que já praticava em outras empresas também.”

Na percepção de Rodrigo, “as oportunidades estão no maior entendimento das relações que as pessoas estabelecem com as marcas e através delas. Quando o planejamento contribui para isso, ele será sempre reconhecido e desejado”, conclui. E assim, os profissionais da área, emocionados, agradecem.

*Texto publicado em Trespontos Brasil em abril de 2014.

8 de mar de 2014

Pra entender o que é ser exclusivo, mamãe me ensinou a lavar banheiro e andar de ônibus

Eu agradeço a minha família por ter me ensinado a lavar banheiro, cozinhar e andar de ônibus, com a mesma tranquilidade que circulo pelos ambientes mais sofisticados. Acho que a diversidade me traz repertório e também não me importo se minha empregada usa o mesmo perfume que eu (ou vice-versa). Mas tem muita gente incomodada com essa confusão do que é ser classe A, B ou C, pelo menos é o que relata uma pesquisa realizada recentemente pelo Data Popular. http://migre.me/g8GpZ

Para a elite e para a sociedade brasileira, é o momento de rever esse conceito de exclusividade. O fato de termos cada vez mais tudo para todos é uma ótima chance para a valorização de uma exclusividade mais ampla que é o material humano.

E o que acontece com as estratégias publicitárias para atrair o consumidor? O desafio ainda inclui entender as pessoas pelo que se tem, para seduzi-las pelo que se pode comprar. Mas isso precisa ser revisto na hora de definir com quem queremos falar, ou compreender o que é um grupo homogêneo – passível de análise – em uma pesquisa, por exemplo.

Na publicidade e na vida, não bastarão as definições econômicas. Vamos ser cada vez mais obrigados a sair da superfície das compreensões para, através das ciências e das artes, entendermos que humanidade é essa por trás do consumo e levá-la adiante.

3 de jan de 2014

Entrevista sobre Transmedia Storytelling


Entrevistei Fernando Palácios para a Trespontos. Transmedia Storytelling é o tema central.



Sobre Fernando Palácios: No meio do caminho entre um passado de publicitário e futuro de romancista, junta as duas coisas como transmídia storyteller.

Isis - Transmedia storytelling é um termo ainda pouco conhecido entre os profissionais de comunicação. Fale um pouco sobre este conceito e sua importância no cenário atual.

Fernando - É verdade, o termo é ainda uma criança: não tem uma década de existência. Foi cunhado por Henry Jenkins, professor de estudos de mídia do MIT. Ele se refere ao ato de contar uma história 'storytelling' através de vários veículos de mídia 'transmídia'. Talvez fosse o caso de simplesmente chamar de Transtelling...

Além de esquisito, o termo também é impreciso. Pode dar a idéia de replicar uma história em diferentes mídias. Mas não é isso. O princípio é simples. Imagine a história como o Sol e cada planeta do sistema como uma mídia. Todos os planetas se relacionam com a mesma fonte luz, mas cada qual na sua órbita e com seu ponto de vista.

Então talvez fosse o caso de chamar de deep mídia storytelling? Mas será que cabe story...TELLING? Hmmm... Por que não storyshaping? Ou ainda storymaking, storysmithing, storycrafting, transmedia storyspreading... Afinal, mais do que contar uma história é preciso criá-la.

Seja como for, o pensamento por trás da terminologia trata de uma coisa muito nova... com outra das mais remotas: o encontro entre a comunicação nas cavernas com a tecnologia prevista típica das ficções científicas.

O ato de contar histórias acompanha – e até define – toda a humanidade como conhecemos. Mas não de uma forma estanque. Pelo contrário. Nosso corpo não sofreu nenhum tipo de evolução nos últimos séculos. Já o ato de contar histórias tem passado por muitas revoluções.

A preciosidade do transmedia storytelling é o que se pode chamar de 'share de ouvidos e olhos'. Explico. Há 40 anos um economista chamado Herbert Simon previu um dos maiores problemas atuais: “O que a informação consome é um tanto óbvio, ela consome a atenção do seu receptor. Assim, a riqueza de informação cria a pobreza de atenção, e a necessidade de alocar a atenção de forma eficiente em meio às abundantes fontes de informação que irão consumi-la.”

A atenção é cada vez mais fragmentada e dispersa. E sem atenção é impossível transmitir uma mensagem. Não existe comunicação. Sem o processo de comunicação não tem marketing. Fica cada vez mais difícil vender idéias ou produtos. É disso que o transmedia storytelling extrai seu poder.

A semelhança entre quem ouve uma história, vê um filme e lê um livro é o fato de estarem todos compenetrados no enredo. Assim, quando se trata de histórias, ouvintes, audiência e leitores são todos atentos.

Isis - Você afirma que imaginar personagens e histórias o ajudou a ser um planner mais criativo em agências de marketing promocional. De que forma esta técnica pode ser útil para os profissionais que atuam nesta área?

Fernando - Imaginar um enredo ajuda a sair da página em branco. Além disso, pensar em personagens, artefatos, lugares ficcionais pode ajudar a preencher lacunas criativas. Outra possibilidade é usar um personagem para simular o comportamento de um target e, a partir disso, antecipar seu comportamento.

Vamos supor um briefing fictício sobre o lançamento de uma bebida energética premium, cujo diferencial é ser verde. Quando se trabalha com eventos, tem uma hora que qualquer evento é mais um evento. Começa ficar difícil para a criação encontrar algo que a entusiasme. Quando isso acontece, os eventos passam a ter detalhes bem pensados, mas sem nada de muito especial. É aí que uma história pode fazer toda a diferença.

'Mas esse não é um evento qualquer... é a festa de aniversário do Sir John Preston, o sul-africano que domina o comércio de esmeraldas e que resolveu fazer uma grande festa de aniversário no Brasil, em homenagem a um grande amigo brasileiro. Aí vai contratar o que há de bom e do melhor no mundo para fazer disso um acontecimento inesquecível... ele vai chegar no ponto de desenvolver a melhor bebida energética de todos os tempos!' Pronto, daí pra frente criar se torna uma grande diversão.

Isis - Na sua opinião, transmedia storytelling tenderá a ser mais utilizado em agências que trabalham com comunicação below the line, ou não?

Fernando - Minha experiência também incluiu agências online, ATL, culturais, de relações públicas, de marketing esportivo e em cada novo segmento fico mais convencido de que tudo em comunicação fica melhor com uma boa história. Inclusive, basta uma história de sucesso para se fazer verdadeiras fortunas. A agência que dominar a arte de criar e contar histórias certamente vai se destacar no mercado, seja BTL, ATL, digital e até mesmo nas mídias sociais.

O que não pode é confundir storytelling com a utilização de elementos narrativos. Criar um clubinho do 'Super Sua Marca Aqui' não é contar uma história. É bem menos simples do que isso.

Isis - Poderia citar alguns casos de transmedia storytelling que considera interessantes?

Fernando - Aí depende muito. Mitologias são casos interessantíssimos, por exemplo. Imagine que a bíblia é uma coletânea de livros com diferentes histórias que se cruzam e que se expandem para subprodutos como afrescos, esculturas, narrativas orais e, além de tudo, permitem o paralelo com as histórias de vida de todos os fiéis.

Se pensar na indústria cultural o JJ Abrams é um gênio do Transmedia. Mesmo quando produziu um filme de baixíssimo orçamento para os padrões de Hollywood ele fez questão de investir em uma série de ramificações para a Internet e isso direcionou muito interesse para a película, que foi um sucesso de bilheteria.

Com relação às marcas de consumo, a Coca-Cola fez um trabalho primoroso de branded content com a máquina da felicidade. No Brasil, a iniciativa da Galera Animal da Nestlé chamou a atenção.

Isis - Neste momento, você está se dedicando a projetos autorais. Qual contribuição da sua experiência na área de comunicação em geral, e em transmedia storytelling em particular, nesta nova etapa profissional?

Fernando - Trabalhar com projetos autorais faz parte de um processo de amadurecimento. Primeiro tive que aprender a contar uma história, depois a criar um universo ficcional. Agora a bagagem de comunicação me dá uma vantagem.

Todo o mundo já deve ter visto um filme por acaso, amou e depois ficou pensando: como eu nunca tinha ouvido falar nele antes? Quanto desperdício criar um conteúdo genial e não fazer chegar às pessoas. A comunicação pode me ajudar a resolver esse dilema.

Nesse contexto, a experiência com transmídia storytelling pode tornar essa divulgação ainda mais interessante, a partir dos trechos da própria história. É usar o poder de envolvimento do storytelling, logo no primeiro contato com a audiência.